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A delicada questão dos honorários
O público em geral precisa ter conhecimento da maneira como cobramos nossos honorários. Esta é uma missão nossa (dos especialistas) e de mais ninguém. 

Coloque-se no lugar de um pai ou paciente que, numa roda de amigos, ao informar que teve de desembolsar três mil reais de entrada e mais trezentos e cinqüenta mensais num tratamento ortodôntico, recebe comentários constrangedores, como:

“O quê? Você é doido? Meu sobrinho não pagou entrada
e a mensalidade nem chega à metade disto!” Essa situação constrange ou ridiculariza o paciente e ele realmente não dispõe de dados para argumentar.

A diretoria da ABOR recentemente recebeu um e-mail com o seguinte texto:
Solicito informações sobre o tratamento, o diagnóstico
e os aparelhos ortodônticos. Meu questionamento se deve ao fato de ter procurado um profissional para fazer o tratamento de minha filha.

Esse profissional me cobrou R$2.500,00 pelo tratamento, diagnóstico e aparelho o qual paguei à vista. Depois de um mês do início do tratamento, descobri que alguns profissionais não cobram o tratamento, nem o diagnóstico e muito menos o aparelho. Então, estou querendo me informar do porquê ocorre essa disparidade no tratamento ortodôntico? 

Já liguei em algumas clínicas e obtive orçamentos de todas as formas: desde aparelhos gratuitos, pagando-se apenas a manutenção de 50% do salário mínimo, até orçamento de três mil de entrada e um salário mensal. Vocês como diretores da Associação, poderiam me dar uma explicação plausível?
Acho que fui explorada por esse profissional. Como é possível acontecer esta diferença absurda no tratamento? Além disso, este argumento de cobrar o diagnóstico não entendi definitivamente! (ASS.: M. D.)

A diretoria da ABOR respondeu com o seguinte texto:
Agradecemos o seu e-mail em que foram solicitadas explicações plausíveis à diretoria da ABOR. Em nome desta entidade tentaremos esclarecer alguns de seus questionamentos.

Inicialmente poderíamos informar que a Ortodontia é uma especialidade da Odontologia e, portanto, uma atividade profissional liberal, o que permite uma diversidade muito grande de honorários por todo o Brasil (não foi citado em qual cidade ou estado a Sra. reside).

Para todos os serviços e produtos disponíveis, em todas as áreas de atuação liberal, ocorre essa diversidade: alimentação, transporte, educação, saúde, entretenimentos, vestuário, academias, turismo, hospedagem etc.

Não dá para acreditar em mágica, fada madrinha ou lâmpada de Aladim.  Ou seja, não existe tratamento ortodôntico particular gratuito.  Ao contrário, o Código de Ética Odontológico considera infração ética o oferecimento de tratamentos gratuitos.

É importante saber que o valor médio dos honorários no Brasil é de R$ 10.000,00.  Para facilitar ao paciente, os profissionais o parcelam. Solicitando uma entrada que varia de 2 a 3,5 mil, e  o restante é dividido em mensalidades (ou prestações) ao longo do tempo de tratamento, que dura em média 24 meses.

É importante saber se o profissional procurado é realmente especialista em Ortodontia com inscrição no Conselho Federal de Odontologia, qual a formação dele, os resultados que ele obtém, se ele atende pessoalmente os seus pacientes e se ele oferece um comportamento ético em relação aos seus pacientes. É muito comum a prática de delegar o atendimento para as auxiliares, multiplicando-se assim o número de pacientes, e também aumentar o tempo de duração de um tratamento, assim multiplica-se muito o lucro.

Quando um cirurgião médico, por exemplo, realiza um procedimento, ele recebe um honorário por seu conhecimento, diagnóstico, planejamento, execução, responsabilidade civil, resultado, atualização em cursos e congressos, conduta ética etc. Sem dúvida, ele não faz conta de lâmina de bisturi, luvas, gazes e suturas. Na ortodontia também é assim. O ortodontista não vende aparelho, este é o objetivo dos estabelecimentos comerciais.

A senhora mostrou indignação (que também é nossa) e questionou a origem desta disparidade. A explicação é simples. Hoje, no Brasil, há uma quantidade enorme de cursos de graduação. Isso eleva o número de profissionais em um mercado de trabalho já saturado, obrigando-os a atuarem em áreas nas quais não se especializaram (embora a lei o permita). Por outro lado, há um número também muito grande de cursos de especialização sem o devido controle de qualidade e com objetivos mercantilistas, gerando um grande número de ‘especialistas’ com ampla diversidade de formação e conduta ética.

Mais uma vez agradecemos sua iniciativa de procurar a ABOR para obter informações a respeito do tratamento de sua filha. Sua atitude é extremamente positiva e esperamos tê-la ajudado. Colocamo-nos à sua disposição para qualquer dúvida que não tenha ainda sido esclarecida. (Ass: diretores).

Atualmente, no mural do meu consultório, há uma cópia impressa desses “e-mails” para que fique bem visível para os pacientes. 
Este tipo de questionamento ocorre constantemente em todos os consultórios pelo Brasil todo.  VAMOS ESCLARECER O PÚBLICO !!!

Jairo Curado de Freitas - Secretário da ABOR.

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